sonho

19/08/2011

 cânhamo egípcio, 500 fios, brancos  lencóis,

noites inquietas, claras de lua, quentes demais

cortinas paradas, varandas abertas

o tecoteco do ventilador

 mosquiteiro de voile

 durmabem, espirais de fumaça

ruas desertas e casas abertas

praias de areia bem branca e azuis

mãos, as tuas, em mim

sonhos, perdidos, os meus,

e sol

 

 

 

 

 

cores do Rio

24/01/2011

O Rio de Janeiro tem praia de branco e de preto. A praia no eixo Leblon-Arpoador me parece assim: branca em toda a extensão do Leblon, mas ali perto do posto 12 e, de novo, no finzinho do Leblon, há uma turma de pretos. No Jardim de Alah, dos dois lados, a praia é dos pretos. Pausa para a Anibal, a Garcia e o território dos gringos, que tem de tudo. O coqueirão, seguido pelo Posto 9,  mistura um pouco de tudo, peronomucho. Parece que mistura, mas não mistura, sabe como é?

Pausa para as tatuagens. Outro dia, juro que li nas costas de um cara, de ombro a ombro, a frase “há malas que vão para Belém”. Há tb o hábito de tatuar nomes de filhos nos antebraços, nome do amor no cóccix  e sobrenomes nas costas, além de carregar nos tribais proto-polinésios e nos  ideogramas japoneses e nos caracteres árabes, all over.  Moças tatuam a nuca. Rapazes, os braços.

Mais à frente vem a praia gay, mais ou menos até ali depois da Teixeira de Melo, bem parecida com a frequencia da praia dos gringos. Antes da ponta do Arpoador tem a praia da moda. Muita gente dia e noite na praia, tomando champagne, descontraidamente. Vai chegando o Arpoador, vai empretecendo. O Arpoador é a praia mais preta do Rio, parece até que eu estou na Bahia. Branco destoa.

Claro que tudo isso tem a ver com a geografia social desses bairros e blá blá, mas nao to fazendo analise sociológica, to fazendo análise cromática. Estamos em plenas férias escolares, verão escaldante, a praia no auge da ocupação e lotação. O Rio de Janeiro está em sua máxima potência.

Em toda a extensão da praia, pretos e pretas trabalham atendendo às múltiplas clientelas. Desde que o samba é samba é assim.

neste verão quero uma fonte de água fresca, uma fábrica de iogurte frozen, uma plantação de verduras bem crocantes, um pomar com frutas madurinhas e muita sombra, um lugar lindo pra cantar todas as noites e praia todo dia. À tarde, literatura, para nao amolecer demais. ah, e um namorado, que eu tb sou filha de deus, ué.

aí vc conhece um cara, de tt que vc vê ele todo dia caminhando na praia, anos e anos a fio. quer dizer: eu ando. ele fica parado. Estou na fase super herói: mulher invisível… pois então. O cara nem é lá grandes coisas, mas é simpático, conversamos umas duas vezes, ele cheio de charme. Defeito 1: fuma cigarro e  cigarro não dá. Primeiro pq nao dá, mesmo, é a burrice mais burra da humanidade. Segundo pq eu sou cantora e ex-fumante, tenho que manter a distância.

Um dia, ele me chamou pra tomar um drinque. Reparei que ele estava com um boné daqueles com o emblema da polícia de Nova York (!). Deixa de ser preconceituosa, por isso que vc nao arruma namorado!!! Ok, deixa ele, pensei, deve ser uma coisa meio hip hop. Na segunda vez em que ele me chamou pra tomar um drinque, ele estava com uma bermuda cuja estampa era a bandeira dos Estados Unidos. Hmmm. Depois foi só confirmar a sequencia de camisetas  e – o pior – a conversa que ouvi dele falando maravilhas sobre… Miami. Sorry, folks, pior que um fumante só mesmo um adorador dos Estados Unidos.

a praia do arpoador ao leblon, durante o jogo brasil x chile: ninguém em casa

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