Luanda Cozetti é uma cantora cujo privilegiado ouvido harmônico a deixa livre para voar nas melodias, sem nunca perder a noção do caminho, voltando sempre que precisa para dar um alô ao tema, ao tempo, ao mundo dos mortais. Depois volta feliz para suas escalas de improviso e voa, voa. Intérprete inteligente, que diz a letra da canção, é a cantora mais técnica que já presenciei cantar. Para mim, Luanda é top, pq sua técnica não a atrapalha, jamais.

Luanda Cozetti está “a viveire” no ultramar, em Lisboa, que lhe deu ouvidos muito melhores do que o Brasil consegue dar.

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Dindi, de Tom Jobim.

Muita gente me pergunta o que escuto, em quem me inspiro, quais as cantoras que admiro.  Isso realmente não importa, nem qualifica ou desqualifica ninguém. É questão de gosto pessoal. Mas, como diz um amigo: Gosto É O QUE se discute. Então vamos discutir.

Tentando definir o que gosto num(a) cantor(a), cheguei a algumas reduções. Uma vez eu ouvi a Leny Andrade dizer, das profundezas de seus graves: “cantora é timbre”. Concordo. Timbre é assinatura e, como tal, é intransferível, inimitável. E sangue. Cantoras exangues e assépticas não mexem comigo. E intimidade. Tem gente que não se apodera da própria voz, como se a voz morasse do lado de fora. Cantora, pra mim, tem que ser dona da voz. Sobre domínio da afinação, coisa rara, tenho um especial apreço. Desafinação e semitonação só se for por conceito. E por fim, a cantora tem que servir à música. A voz é apenas a ponte por onde a música passa, de dentro, pra fora. E a cantora dá a cor, o tom, o perfume.

Para inaugurar nossa série, vou começar pela Leny Andrade, que recentemente me fez chorar durante um show inteiro e voltar no dia seguinte. Coisa que não me acontece nun-ca! Aqui, ela canta Ilusão à tôa, obra-prima de Johnny Alf, que morreu recentemente. Para degustar.

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