I’m not in love
18/10/2011
preciso me apaixonar urgente. preciso me apaixonar pra sharpear a cor da vida. pra voltar a achar bonitas umas músicas, umas frases, pra apreciar Jorge Vercillo, sempre falando de amor como uma epifania, um momento da ascenção, de iluminação. Pra encolher a barriga. E tb pra ficar horas me olhando no espelho, horas passando creme nas pernas, tirando sobrancelha, fazendo unhas. horas feliz. com aquele canhão de luz apontando de dentro pra fora. quentura. aquela falta de fome, aquele fastio, cheio de borboletas no estômago. e também para andar sorrindo na rua, para estranhos. e pra ter a felicidade de esperar o telefone tocar, e ele tocar. ficar apaixonada é um inferno, uma montanha russa, um desassossego, um aluguel. muito mais legal do que a paz-eterna-amém.
fio da meada
25/04/2011
Minha irmã me ensinou que Flaubert disse: “Tenha cuidado com a tristeza. É um vício.” Depois disso, nunca mais esqueci de driblar os pensamentos que podem acordar tristezas, tirá-las dos esconderijos onde estão, e dar-lhes à luz. A tristeza tem lá seu colorido, seu sabor. É farta e disponível. E vicia. Se a gente puxar o fio da tristeza de dentro da gente, ele apresenta uma a uma, feito lenços saindo da cartola do mágico, feito bandeirinhas de São João, feito lampadinha de árvore de natal: uma seguidinha da outra.
Tristeza não tem fim. Está sempre lá, cheia de motivos. Tímida e chorosa, num cantinho, ou doida pra brilhar, dançando em cima do queijo, espaçosa. Uma tristeza convida a outra pra entrar: “fica à vontade, querida, aqui tem espaço para todas nós!” E ela entra, arma sua barraca e acampa na sala. Quando uma alegriazinha qualquer bate à porta, elas abrem e dizem: “não tem ninguém em casa”, e blam!
Morro de medo de tristeza, pq quando começa não para mais, e aí ela me invade como o inimigo invade uma cidade, me toma e me ocupa, mesmo os melhores lugares de mim. Sequestrada por ela, refém da tristeza, paralisada, vejo a vida real passando lá longe, imperfeita, mas também cheia das alegrias que pisoteamos, todos os dias, em busca da felicidade.
tire o seu sorriso do caminho
25/02/2011
Aqui no Rio, qdo entra o verão, reinam os sinônimos estabelecidos de alegria e diversão: beber até cair, ficar loucaça, beijar mil bocas, jogar altinha, tomar champagne na praia, felicidade urgente para todos. O verão é um grande carnaval que dura 3 meses. Se vc não está nessa, desafina. Amo praia e posso beber e produzir falsa alegria e transe a qq hora, mas estar dentro de uma multidão suarenta, cantando Vou festejar, realmente nao me diverte mais. Me sinto inadequada, passada, fora de esquadro.
Estou sem alegria e vou além: to cansada dessa necessidade de alto astral, de festejar, de comemorar, de ser feliz o tempo todo, de ser “pra cima”, de produzir um clima de felicidade permanente, de “encantar a vida”. Isso virou uma imposição dos esotéricos e neurolinguistas, que ameaçam a gente com os nossos próprios pensamentos e sentimentos. De hoje em diante vc só pode pensar coisas lindas e boas e prósperas e fofas e saudáveis e positivas! A vida real, cheia de defeito, feiura, dificuldade, celulite e dureza, essa vc desprograma dentro de vc e tudo muda! A celulite some e a grana aparece. ãhã. A gente vira culpada por tudo, é pior do que os crentes, o papa e seus rebanhos. E nem tento mais desabafar com amigos, pq começa a campanha pra “levantar o astral”: vc é maravilhosa, sacode a poeira, dá a volta por cima!
Vamos pular, vamos dançar, vai rolar a festa, vamos todos participar desse grande comercial de telefonia celular, dançando nas ruas, o astral lá em cima, cercados de gente bonita em clima de paquera! ‘Cause tonight is gonna be a good night. Não estou jovem, não estou bela, estou cheia de problemas e não espero nada de um sábado à noite ou de um carnaval, perdi a chave da diversão. Não me empolgo, não me interesso e nem me divirto com quase nada ou ninguém. Desencantei. Chega de maya, chega de ilusão, chega de esperar. Godot is not coming. Godot nem existe. Fuck Godot.
PS. ihhh, mó baixo astral esse texto
sorte
28/01/2011
absolutismo
17/02/2009
é melhor ser alegre que ser triste





