vida dura
06/10/2009
um morador de rua entrou na Sendas do Leblon, entrou na fila do caixa, pediu um maço de cigarros e pagou. A moça do caixa deu o troco pra ele.
“E a nota?” – Ele perguntou?
“Quer nota de cigarro?” – Ela desdenhou
“É, os segurança tá tudo de olho em mim, vão me ver saindo com cigarro, já viu…” - encerrou.
It could be worse. It could be raining…

toda ouvidos
25/09/2009
Escutei essa conversa:
“…Se eu não tiver trabalho como fotógrafo, viro designer, se não for designer, viro ilustrador, se não rolar nada disso, viro viadeiro, pedreiro, bombeiro. Não tem essa de profissão, a vida é a minha profissão…”
(while my eyes go looking for flying saucers in the sky)

povo da praia
06/04/2009
outro dia passou por mim um mendigo, muitas roupas superpostas que ficariam lindas na passarela do Fashion Rio. Paramos pra esperar o sinal fechar. Eu, de bicicleta, ia a uma reunião em Copacabana. Ele indo pra praia, provavelmente catar as latinhas que recolhia num sacão de lixo preto. O cabelo desgrenhadérrimo. Os pés, descalços.
Parou do meu lado, simpático: “Copacabana está em guerra hoje. Mais uma vez”. “Pois é…” tive que concordar porque, de fato, Copacabana amanhecera novamente debaixo de tiros. ”Ainda bem que eu vim pro Leblon de helicóptero”, disse ele, despedindo-se com um aceno, um sorriso aberto, postura altiva e altaneira, rumo à areia da praia.
E eu, que morro de medo de helicóptero, montei na minha bicicletinha e pedalei rumo à guerra de Copacabana.

é como uma música parada sobre uma montanha em movimento