Eles estão por toda parte. em todas as cidades do mundo, ocidente e oriente.  Eles usam camisetas pretas. Às vezes tem uma coisa escrita, tipo Motorhead, mas pode não ter. Pode ter manga curta ou comprida, mas sem manga, tipo regata ou mamãe-to-forte, mesmo preta, perde a qualificação. Eles usam black jeans, ou jeans, all star ou botas pretas, coturnos, boots e tênis. Podem usar correntes como adereços, chaveiros ou colares, brincos e piercings e tattoos, mas não necessariamente.Não confundir com góticos.  Não confundir com emos. Eles são os camisetas-pretas.

Em geral, um camiseta-preta fuma muito, bebe muito e nunca pega sol. Namora, sempre outro espécime camiseta-preta. Os homens frequentemente têm cabelos longos e são tímidos. Comem junk food. E acham o mundo todo uma bobagem.

dia desses cruzei com dois camisetas no meio da rua, paramos para atravessar um sinal, em Copacabana, eles à pé, eu de bike. Um virou-se pro outro e disse, no melhor estilo camiseta-preta: “não to feliz, mas to calmo”

vida dura

06/10/2009

um morador de rua entrou na Sendas do Leblon, entrou na fila do caixa, pediu um maço de cigarros e pagou. A moça do caixa deu o troco pra ele.

“E a nota?” – Ele perguntou?

“Quer nota de cigarro?” – Ela desdenhou

“É, os segurança tá tudo de olho em mim, vão me ver saindo com cigarro, já viu…” - encerrou.

It could be worse. It could be raining…

tijolo por tijolo num desenho lógico

toda ouvidos

25/09/2009

Escutei essa conversa:

“…Se eu não tiver trabalho como fotógrafo, viro designer, se não for designer, viro ilustrador, se não rolar nada disso, viro viadeiro, pedreiro, bombeiro. Não tem essa de profissão, a vida é a minha profissão…”

(while my eyes go looking for flying saucers in the sky)

além do horizonte existe um lugar

povo da praia

06/04/2009

outro dia passou por mim um mendigo, muitas roupas superpostas que ficariam lindas na passarela do Fashion Rio. Paramos pra esperar o sinal fechar. Eu, de bicicleta, ia a uma reunião em Copacabana. Ele indo pra praia, provavelmente catar as latinhas que recolhia num sacão de lixo preto. O cabelo desgrenhadérrimo. Os pés, descalços.

Parou do meu lado, simpático: “Copacabana está em guerra hoje. Mais uma vez”. “Pois é…” tive que concordar porque, de fato, Copacabana amanhecera novamente debaixo de tiros.  ”Ainda bem que eu vim pro Leblon de helicóptero”, disse ele, despedindo-se com um aceno, um sorriso aberto, postura altiva e altaneira, rumo à areia da praia.

E eu, que morro de medo de helicóptero, montei na minha bicicletinha e pedalei rumo à guerra de Copacabana.

é como uma música parada sobre uma montanha em movimento

é como uma música parada sobre uma montanha em movimento