vida dura

06/10/2009

um morador de rua entrou na Sendas do Leblon, entrou na fila do caixa, pediu um maço de cigarros e pagou. A moça do caixa deu o troco pra ele.

“E a nota?” – Ele perguntou?

“Quer nota de cigarro?” – Ela desdenhou

“É, os segurança tá tudo de olho em mim, vão me ver saindo com cigarro, já viu…” - encerrou.

It could be worse. It could be raining…

tijolo por tijolo num desenho lógico

toda ouvidos

25/09/2009

Escutei essa conversa:

“…Se eu não tiver trabalho como fotógrafo, viro designer, se não for designer, viro ilustrador, se não rolar nada disso, viro viadeiro, pedreiro, bombeiro. Não tem essa de profissão, a vida é a minha profissão…”

(while my eyes go looking for flying saucers in the sky)

além do horizonte existe um lugar

natureza viva

31/08/2009

olho pro ceu e vejo como é bom ver as estrelas na escuridão garota eu vou pra california viver a vida sobre as ondas

diga, espelho meu, se há na avenida alguem mais feliz que eu

 O Rio de Janeiro como ele é: sem photoshop, sem flash, sem overdubs

livre associação

17/07/2009

preciso de um sapato novo, baixo e fechado e de um alto de bico redondinho, bem fofo, mas odeio todos que vejo. e acho caro. tem dias em que sinto uma pena e uma saudade de doer, mas de doer, mesmo. meu cabelo está uma cafonice só, sabe cabelo meigo? onde fica o ctrl+z? parece que nunca mais vou amar e ser amada. preciso urgentemente de férias de verdade. maldição de ex-marido é pior que praga de sogra. procura-se um gatinho achado na Lapa e perdido em Santa Teresa, no Curvelo. Paga-se bem. ”vc virou a Beyoncé!” foi a melhor do ano, so far.  preciso urgentemente de um produtor-padrinho. quero viajar pelo mundo cantando em mil festivais maravilhosos e conhecendo pessoas e vivendo o que há pra viver. onde fica a porta de entrada? aquela do Caneca tb foi fofa, mas foi no ano passado! preciso de uma editora pra editar meus livros, acho que são bons. a praia ainda é o melhor lugar do mundo. queria conseguir dizer o texto que fica parado no balaozinho acima da minha cabeça, enquanto eu falo a fala de outro personagem. não ter nada é um conforto, a bagagem é leve. eu tenho um vidão de cinema, ninguém nem imagina. se eu conto, parece mentira, então nem conto. ou será o vício dessa lente que me dá esse olhar? toda mulher é meio leila diniz. o mais dificil de tudo são os cálculos do porvir, os lançamentos futuros da vida. quem sabe ou pode fazê-los?

desde o dia em que passei numa esquina, pisei num despacho, bem que procuro a cadência e não acho

eles foram casados por quase 70 anos. Ela morreu com quase 90, ele tá quase lá.

No primeiro café da manhã sem a mulher, ele sentou-se à mesa, comeu pão com manteiga, café, leite e nem tocou no queijo. A empregada notou, achou que fosse fastio de tristeza: “…mas o senhor nem comeu o queijo, o senhor come queijo todo dia…” E ele: “Eu odeio esse queijo, eu comia esse queijo pq ela comprava, botava na mesa, me obrigava a comer esse queijo horrível. Nunca mais vou comer isso na vida”

70 anos comendo, diariamente, o queijo que odeia pra não contrariar a mulher!!!! É como ter ficado 70 anos com uma corrente presa ao pé, arrastando aquela bola de ferro pra sempre. Depois que ela morreu, ele finalmente vai comer o queijo que gosta, se é que ele sabe do que gosta. Alguém aí achou fofo? Pelamordedeus…

algum veneno antimonotonia

eu tava na portaria do meu prédio esperando duas amigas virem me pegar pra irmos pro samba, quando passa uma vizinha de sei lá, 18 anos, toda arrumadinha. Como eu conheço ela desde bebê, eu brinquei: ”E aí? bora pro samba?” E ela respondeu, olhos bem gulosos: “Se eu pudesse eu ia, mermo.” E passou. Família religiosa, essas coisas. Morri de pena dela.

Imediatamente me voltou a sensação horrível de impotência que eu sentia por ter que pedir permissão para fazer alguma coisa, na infância e na adolescência, e ainda ter que negociar as condições. Também senti a dor que dava ouvir a bateria do baile de carnaval ao longe, imaginando o negócio pegando fogo no salão, as pessoas sendo terrivelmente felizes  e having the time of their lives, enquanto eu deitava de olhos abertos no escuro e via a sombra dos galhos do eucalipto sendo projetadas, nas paredes do meu quarto, pela luz bruxuleante do poste do jardim. Monitoramento, de qualquer tipo,  sempre foi claustrofóbico pra mim. Tenho dificuldades com hierarquias e obediências dogmáticas. Que felicidade incrível me deu, naquela portaria, por eu poder estar indo fazer simplesmente o que eu queria fazer: hoje eu fui ao baile carnaval.

Agradeço por poder escolher. Escolher é um luxo. 

não me pegue, não, me deixa à vontade

pausa

22/05/2009

praia do diabo, arpoador, rio de janeiro, brasil, maio, 2009

praia do diabo, arpoador, rio de janeiro, brasil, maio, 2009

circo orlando orfei

panqueca com sorvete no pancake

tobogã da lagoa

tivoli parque

tom e jerry no drive in da lagoa com batata prussiana, aquela xadrezinha, na sessão coca cola

sorvete com calda moreto, aquela durinha de chocolate, no rick

autobol – futebol de fuscão

suco yuky de pêssego

feira da providência na lagoa

lápis do bambu fino

incenso de cone e pulseiras da india house

sorvete de cafe da yopa

creme rinse colorama

galeto no braseiro da rua montenegro

rua montenegro

bala toffee

pier de ipanema

valsinha do chico buarque

horizonte perdido

clube monte líbano

cereja ao marraschino

breu na sola da sapatilha de balé

eu eratã criança e ainda sou

quem é do bem?

quem é a do bem?

qualquer semelhança é mera coincidência?

qualquer semelhança é mera coincidência?

* Whatever happened to Baby Jane, clássico dos anos 60, com as destruidoras Bette Davis e Joan Crawford. O negócio é violento, show de interpretação como nunca dantes e nunca depois. Foi de lá que chuparam totalmente a parada das irmãs da novelona. Mas quase ninguém sabe disso, né? Who fucking cares?

meninos, eu vi

15/12/2008

strike a pose, madonna

strike a pose, madonna