a poeta do brinco de princesa
15/09/2009
começo o dia conversando com uma poeta de 30 anos. Ela chega de carro, procurando vaga, está de vestido colorido e botas de cano longo. As sobrancelhas perfeitamente feitas. Ela é linda, ocupada, articulada, cheia de projetos, de sucessos, de viagens, de planos e de falta de tempo. Não consegue nem reeditar seu primeiro livro, esgotado, pq está ocupada demais com as mil coisas que precisa fazer para dar conta de sua vida interessante, dinâmica. Juntas, tomamos suco da luz do sol e seguimos pela estrada ensolarada que é a nossa vida.
depois dela, vem ao meu encontro outra poeta. cabelo recém-lavado, preso num rabo de cavalo descuidado e uma suéter quente demais e larga demais. Quase posso sentir, de longe, o cheiro da alfazema que usa. Lembro da mãe de santo: alfazema esfria o coração. Tenho vontade de contar pra ela. Calo. Se esforça, tímida, mal olha pra mim. As sobrancelhas nunca foram feitas, na vida. Sem vaidade nenhuma, sem jamais olhar nos meus olhos, ela quase nao fala sobre si mesma, sobre sua poesia, sobre nada. Em um ano já lançou dois livros de poemas pungentes que fazem a gente chorar e daqui a pouco lança o terceiro. Não sei falar, ela diz. Confusa, frágil, usa a poesia como um escoadouro de suas emoções represadas, sua angústia de viver. Pede perdão por não ser falante, por não ter o que dizer. Me identifico profundamente com ela e sei a dor que ela sente, inexpressável, indivizível e impronunciável. Saio abraçada aos seus livros: “liga pra mim, pra qq coisa”, eu digo, nem sei pq.
Na florista da esquina, vejo um vaso repleto de brincos de princesa em flor e compro correndo. Queria oferecer a ela essa beleza, essa leveza que ela não consegue ver. Trago os brincos de princesa pra casa e estou olhando pra eles enquanto escrevo isso. Brincos de princesa para colorir a estrada de uma poeta triste.

Lindo, lindo lindo!!! A poesia da moças te contaminou. E a foto é deslumbrante.
Quem são essas 2 poetas?
hmmm, alziro, sorry, um dia te conto pessoalmente, for your eyes only…
Branquinha, vc é minha poeta preferida! Linda! Saudades.
Eu diria que se trata de uma oposição entre o clássico e o romântico. O clássico inserido no sitema, tem uma sensibilidade objetiva aplicável a sociedade. O romântico, subjetivo, vaga e emociona.
Melhor mesmo é ser objetiva, sem tempo e não tirar a sobrancelhas. Ou ser subjetiva tímida e usar vestido florido com bota de cano longo.
olá, de volta à blogosfera, vim te apresentar meu blog novo, agora estou na irlanda. um beijo.
Dizer o quê?
Vai ficar nos meus Favoritos!
Porquê comentar no início, para dizer que ainda vou procurar o Fim…
Bjs
F
O indizível será para sempre indizível… nem a fé, nem o intelecto, nem o amor, nem nada mesmo. Mas tenho que concordar que a beleza e a arte aproximam de uma compreensão qualquer.
beta, vc nunca mais veio aqui? poxa…
beá,,, ahahaah, vamos clonar essa poeta ideal e ver que tipo de poesia sai disso? rs
teresa, irlaaaanda? uau! vou ver seu blog, já! bj
zoca, acho que a arte é uma tentativa de traduzir o indizível para o dizível
francisco, que bom! volte sempre!
Andréa, me dá seu email. Escreva para teresabreu@hotmail.com. Estou te ouvindo no teu site e vou apresentar ao ministério a proposta para vc vir tocar em Dublin. bisous
Uma delícia.0.3
carlucho, vc conseguiu!!!!
poeta feliz é que nem exblogueiro. Lenda.
ahahahaahaha, guga, uma vez blogueiro, sempre blogueiro…
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