coisas coisadas
26/05/2009
por que os vendedores ambulantes da praia ficam anunciando o que vendem o tempo todo, mesmo quando não tem ninguém? Ligam um automático quando pisam na areia?
por que os trocadores das abomináveis vans ficam com meio corpo pra fora da janela, com a van em alta velocidade, na pista de fora, gritando o itinerário a ser percorrido? É tipo só pra fazer divulgação?
por que os banheiros da praia fecham antes dos quiosques que vendem bebida? é pro povo fazer xixi ali na areia, mermo?
por que uma operadora de celular avisa: “para terminar, desligue”? existe alguma outra forma de terminar uma ligação telefônica? a pessoa fala tchau e fica na linha?

sagrado cenário onde tudo acontece
se eu pudesse eu ia, mesmo
25/05/2009
eu tava na portaria do meu prédio esperando duas amigas virem me pegar pra irmos pro samba, quando passa uma vizinha de sei lá, 18 anos, toda arrumadinha. Como eu conheço ela desde bebê, eu brinquei: ”E aí? bora pro samba?” E ela respondeu, olhos bem gulosos: “Se eu pudesse eu ia, mermo.” E passou. Família religiosa, essas coisas. Morri de pena dela.
Imediatamente me voltou a sensação horrível de impotência que eu sentia por ter que pedir permissão para fazer alguma coisa, na infância e na adolescência, e ainda ter que negociar as condições. Também senti a dor que dava ouvir a bateria do baile de carnaval ao longe, imaginando o negócio pegando fogo no salão, as pessoas sendo terrivelmente felizes e having the time of their lives, enquanto eu deitava de olhos abertos no escuro e via a sombra dos galhos do eucalipto sendo projetadas, nas paredes do meu quarto, pela luz bruxuleante do poste do jardim. Monitoramento, de qualquer tipo, sempre foi claustrofóbico pra mim. Tenho dificuldades com hierarquias e obediências dogmáticas. Que felicidade incrível me deu, naquela portaria, por eu poder estar indo fazer simplesmente o que eu queria fazer: hoje eu fui ao baile carnaval.
Agradeço por poder escolher. Escolher é um luxo.

pausa
22/05/2009

praia do diabo, arpoador, rio de janeiro, brasil, maio, 2009
mediterrânea
11/05/2009
…li seu post e lembrei de uma felicidade profunda que eu me dei a sentir, em detalhes, quando um dia imaginei queu pudesse ir praquela ilha do filme Mediterrâneo, sabe?, e passar todos os dias sob o sol. Aquela brisa balançando as mangas das camisas penduradas na corda, dançando o lençol branco no varal, bailando os filós das cortinas. Microborboletas errando em bando por entre gerânios vermelhos nas jardineiras brancas. Sempre um amanhecer orvalhado e fresco, soando a passaradas. Dias coloridos, idas ao mercado onde se compra semente, raiz, caule, folha, flor e fruto. Chapéu de palha de aba ampla, bicicleta de cestinha. Entardeceres ora avermelhados ora dourados, rosados ou roxos, decorando céus de azul cobalto. As chuvas, prazenteiras. As noites, claras. Caminhos floridos, laranja madura na beira da estrada. Manjerona e alecrim nos canteiros do quintal. Lâmpadas penduradas nos fios.
Andar o resto da vida de saias coloridas bem rodadas, batas brancas, ombros de fora, sandálias amarradas nos tornozelos, cabelos longos, perfumados e cacheados, boca vermelha, brincos de ouro. Na hora das refeições, debaixo da sombra de uma árvore frondosa no quintal, servir a mesa de madeira meio troncha. Queijo de cabra, azeite, figos, vinho, azeitonas, peixe, tomate, uva, rúcula e pão. Café forte. A fonte é modesta, de pedra cor de pedra, estátua no centro, limo e líquen. A ninfa está abraçada à ânfora que deita um fio de água pra sempre no fundo da fonte, onde moedas refletem o sol. Bancos de madeira, garrafões de vinho, almofadas listradas, jarra de louça branca cheia de água de beber. Às noite de lua, sanfonas, violinos, flautas, pandeiros, bandolins. Os homens e as mulheres dançam, os homens e as mulheres falam. Uns falam alto. Outros fumam, comem, jogam, flertam, bebem, falam palavrão, namoram, gargalham. Às noites sem luar, cantoras cantam histórias que viveram, mas ninguém sabe. Todos escutam. Uns choram, uns dançam, uns riem. Os dias nunca se acabam, a noite nunca tem fim e a música é boa.
Lá embaixo, turquesa e calcáreo. O mar que nos abraça. O campanário da igreja recorta o horizonte cobalto. Casas brancas ocupam a encosta escarpada, a luz amarela sai das janelas abertas. Estrelas mudam de lugar o tempo todo. Algumas caem, mas sempre deixam um rastro de poeira brilhante.

vidas passadas – infância
06/05/2009
circo orlando orfei
panqueca com sorvete no pancake
tobogã da lagoa
tivoli parque
tom e jerry no drive in da lagoa com batata prussiana, aquela xadrezinha, na sessão coca cola
sorvete com calda moreto, aquela durinha de chocolate, no rick
autobol – futebol de fuscão
suco yuky de pêssego
feira da providência na lagoa
lápis do bambu fino
incenso de cone e pulseiras da india house
sorvete de cafe da yopa
creme rinse colorama
galeto no braseiro da rua montenegro
rua montenegro
bala toffee
pier de ipanema
valsinha do chico buarque
horizonte perdido
clube monte líbano
cereja ao marraschino
breu na sola da sapatilha de balé

o dia do livro perdido – o desfecho
03/05/2009
aí embaixo tem um outro post com esse título, em que falo sobre o bookcrossing day, na semana passada. Eu tinha que vir contar o que me aconteceu nesse dia. Na pressa de sair, peguei uma edição de bolso de Os Maias, um brinde que ganhei e nunca abri, pq já tinha outra edição do livro. No taxi onde eu pretendia esquecer o livro, abri a embalagem e escrevi a dedicatória: “Depois de ler, esqueça este livro em algum lugar, para que outra pessoa possa lê-lo”. Foi qdo fechei a capa e li, claro como água: Os Maias, vol 2… Deixei o vol 1 em casa. Aí é sacanagem, né?

afoguei as mágoas nos frutos do mar da adega pérola
e tu? não quer?
01/05/2009
quando eu entrei no taxi , o motorista ligou o rádio e disse:
- tem um monte de cantora boa aí, sendo lançada…
- eu sou uma cantora boa, mas não estou sendo lançada - falei.
- é? não está sendo lançada por quê? não quer?
- é que eu tenho 20 anos de carreira, já tô mais que lançada.
- ah, é? e tu já foi no faustão?
- não, nunca fui.
- e vai dizer que tu não quer ir no faustão?
- não é isso. É que nem todo mundo tem a ver com o faustão. É possível ter uma carreira sem passar pelo faustão, sabe?
- mas vai dizer que tu prefere ficar assim, completamente desconhecida, em vez de ir no faustão? claro que tu quer ir no faustão, pô, o brasil inteiro quer ir no faustão, todo mundo te olhando, tu com aquele padrinhão… tu tem que arrumar um empresário, pra isso que serve empresário. Se tu ganha, ele vai junto. Aí é que ele trabalha pra tu..
(Tipo assim: não vou admitir chacotas com a minha pessoa, nem piadas de cunho pessoal)
