mario broder

30/01/2009

eu chamei o  taxi da cooperativa, como sempre. Entrei e ele disse logo: eu sou o pai do rapaz que perdeu o carro pra Globo, blá blá. Contou uma história doida, que eu desconhecia. Ele se auto-intitula Mario Broder, o cara que frequenta salões de dança e por causa disso acabou ganhando um taxi pq umas senhoras precisavam de um motorista e se cotizaram pra comprar o carro dele.  Depois disse que conhece todo mundo do samba, inclusive aquele cara, sabe? aquele gordo que é empresario de todo mundo. Muito meu amigo, esqueci o nome. Os cabelos, caju. Cordão de prata, pulseiras, muitas. De prata. Luvas de dirigir azuis.

Depois disse que inventou o cartão de visita interativo, isto é: ele manda fazer cartões Disque Taxi, para motoristas de taxi em geral, coloridos, um carrão na frente, design arrojado e tal e, no verso, tem lacunas pro cara preencher com nome, telefone, um estouro! Inventou também os cartões Disque Manicure, Disque Bombeiro e Disque Eletricista.  Quase pedi pra ele inventar o Disque Cantora. “Eu já carreguei muito artista – ele disse  - inclusive aquele rapaz, o cantor, aqueeele do rap…  Daniel Pescador”.

!

quando vc for ao samba, pergunta pelo mario broder

quando vc for ao samba, pode perguntar pelo mario broder...

o que vc quer?

26/01/2009

 Tenho muita dificuldade em escolher alguma coisa e abrir mão de outra, pq sempre fico naquela de querer saber aonde as coisas que não escolhi foram parar. A voz do coração ajuda como guia nas questões digamos assim, atávicas, mas em outras ocasiões continuo murista, prefiro poder mudar de opiniao, não fechar questão e mudar de time quando me convier. Volúvel, inconstante, gulosa, quero tudo. Luvas e anéis. Detesto o poema Ou isto ou aquilo, pq essa é uma questão da minha vida: não admito a lei da física que diz que duas coisas não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Vou passar a vida tentando provar o contrário.

Me faz lembrar a Marciá, roomate da minha irmã no apê de Paris, onde morei durante seis meses. A mãe dela sempre dizia pra ela, nas grandes indecisões da vida: “Quem tudo quer, nada quer”.

Até então eu só conhecia o tradicional “Quem tudo quer, tudo perde”. Discordo. Quem tudo quer, ganha mais do que quem quer pouco ou nada.

E tenho dito.

tantas flores, tantos jardins

tantas flores, tantos jardins

mea culpa*

23/01/2009

de novo errei

mais uma vez, confesso, deslizei

de novo te pedi perdão

ouvi, pela primeira vez,  da sua boca um não

antigamente, a sua porta estava sempre aberta para mim

eu ia e vinha, pintava e bordava ao meu bel prazer

 agora é tarde

quando eu bato vc não está

perdi a graça pra vc de tanto vacilar

vc estava ao meu lado, me queria bem

andei errada, mas no fundo também não amei ninguém

 não tem desculpa, mea culpa

aprendi uma lição

por querer tudo, perdi tudo

e fiquei com a solidão

amarela1

*para ouvir, visite: www.andreadutra.com.br é a música de abertura do site. Letra e música de minha própria autonomia (né, amiga?), cantada por mim e tocada pelos meus amigos Henrique Martins, o maéééstro, no violão de 7 cordas, Wellington Monteiro no cavaco,  Bruno Cunha e Bebeto Sorriso na percussão. Coisa fina: la garantia soy yo!

terê

19/01/2009

piscina in the sky with tiles

quem é do bem?

quem é a do bem?

qualquer semelhança é mera coincidência?

qualquer semelhança é mera coincidência?

* Whatever happened to Baby Jane, clássico dos anos 60, com as destruidoras Bette Davis e Joan Crawford. O negócio é violento, show de interpretação como nunca dantes e nunca depois. Foi de lá que chuparam totalmente a parada das irmãs da novelona. Mas quase ninguém sabe disso, né? Who fucking cares?

Orelhão  no bas fond de Copacabana é cheio de propagandas de profissionais do sexo de todos os estilos. Em geral são panfletinhos p/b xerocados e colados um em cima do outro, do qual constam uma foto, descriçao dos atributos do profissional/serviço,  nome e telefone para contato.

Na madrugada de sábado, saindo do Cervantes, vi os papeizinhos dentro do orelhão da esquina da Prado Junior com Barata Ribeiro. Quando me deparei com esse folheto aí,  bolei! Já vivi e vi muita coisa nessa vida, tenho amigos vividos e viajados, de todos os sexos e crenças e classes sociais. Tenho um diálogo aberto com todos eles, inclusive sobre sexo. Mas esse negócio de fazer “kelvi sem parar” é uma novidade absoluta pra mim e pra todos os amigos que estavam lá! Ficou todo mundo curioso e viemos embora. Na mesma hora pensei no blog e arranquei o papel pra escanear. As amiguinhas do kelvi ganharam inclusão digital…

Cheguei em casa às 6h30 da manhã e vim direto procurar na rede. Tá lá: kelvi é felação sem camisinha. Neste caso,  a duas bocas. Isso tudo por qua-ren-ta-re-a-is! E sem parar…  

pra não dizer que não falei de flores

pra não dizer que não falei de flores

despedida

06/01/2009

tem dias em que a lembrança chega antes mesmo de a cabeça acordar, a lembrança acorda o pensamento que acorda a gente e assim a gente já pisa no chão lembrando. a mão. bota água na cafeteira, o pó de café, fecha, equilibra a cafeteira na boca do fogão. a lembrança nem brota da cabeça, a lembrança brota de tudo. a lembrança é uma campainha tocando sem tirar o dedo. a lembrança é uma luz vermelha piscando. a lembrança é uma sirene que toca dentro da gente e não quer parar de tocar. a lembrança é uma avalanche que despenca em cima da gente. a boca. a lembrança é uma vertigem que te suga, te draga, te carrega, te embaça os olhos, te traga. a lembrança é uma dor que só se cura com mais lembrança. um gesto. no dia da lembrança é melhor colocar plaquinha de volto já e esperar passar. o corpo paralisa, a mente pausa. tudo para para ver a lembrança passar. a  lembrança é aquela onda cheia de espuma e areia, que nos chicoteia na arrebentação.

hoje eu lembrei e não consegui parar mais de lembrar.

chove chuva chove sem parar

deve ter sido a chuva

a cura

05/01/2009

estou meio gripada. tudo a ver com os excessos das festas, muito açúcar, muita mistureba… Resolvi tomar uma providência e fiz uma sopa leve, com ingredientes (quase) todos orgânicos, que ficou o máximo! Usei o que eu tinha e claro que ninguem vai morrer se omitir ou mudar um ou dois ingredientes.

 

Creme de couve-flor picante 

 

Escolha uma panela grande, com tampa. Esquente um pouco a panela ainda vazia, coloque o óleo, aqueça. Refogue no óleo, em fogo médio, nesta ordem:

 

Pimenta do reino moída na hora

 

Um pedacinho de pimenta dedo de moça fresca ou seca (compro fresca, deixo secar naturalmente, guardo no vidro qdo tá sequinha), sem semente

 

uma folha de louro

 

duas folhas de limão kaffir

 

uma cebola grande picada e um pedaço de 2cm de gengibre fresco picadinho pequeno

 

um pouco depois:

 

quatro dentes de alho picados na faca. Não deixe o refogado escurecer demais, que amarga, mas deixe tudo bem douradinho.

 

Tudo refogadinho? Acrescente, de uma vez:

 

Uma couve-flor grande, bouquets separadinhos. (Se ela for orgânica, lave as folhas  e corte-as fininhas como couve mineira e reserve pro final)

 

duas cenouras, escovadinhas, com casca, em quadradinhos. (Se for orgânica e tiver as ramas bonitas, lave e reserve, separada em galhinhos)

 

um inhame em quadradinhos

 

um alho poró pequeno em rodelas

 

um envelope de caldo de legumes sem gordura

 

água filtrada suficiente pra cobrir os legumes.

 

Quando tudo estiver al dente, retire a pimenta, as folhas de louro e de limão, processe ou bata 2/3 da sopa com dois polenguinhos light, se gostar ou quiser. Depois de bater, veja se está liquida demais. A idéia é que a nossa sopa seja um creminho leve. Vc pode pegar o caldo que sobrou na panela, junto com os legumes que vc nao bateu, coar e guardar o caldo no congelador pra usar em outra sopa. Se ainda assim ficar mole demais, vc sempre pode deixar a sopa engrossando no fogo baixo, a panela destampada, até chegar no ponto de creminho.

 

Deixar uma parte da sopa pedaçuda ajuda a mastigar o líquido e melhora a digestão. O gengibre ajuda incrivelmente na digestão da couve-flor.  

 

Volte com tudo pra panela, deixe ferver, mexa, prove, olhe e veja o ponto, adicione sal marinho no final de tudo, se precisar.

 

Na hora de servir, coloque um punhado da rama da cenoura e outro da folha da couve-flor cortada fininha no fundo do prato, cubra com a sopa fervendo e nhãmi! Fica picante e cremosa e vc sua e se sente maravilhosa depois! Eu enfeitei aí com uma palha de alho poró wannabe. Um dia desses, acerto… Cheiro verde picadinho tb dá mó pé sempre, em cima de qualquer coisa, caso vc nao tenha as folhas e as ramas. Ou uma verdura escura qualquer, tipo rúcula ou agrião… 

comfort food é isso ai!

comfort food é isso aí!